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Número: 12 991360875
Salvo que quem fizer algum tipo de trote ou usar meu número para fins malignos irá ser denunciado.

sábado, 25 de maio de 2013

O Sétimo Exemplar

Cap. I - Folhas de Outono

David Louis Gaspar, sim este é o meu nome completo, tenho 15 anos e estudo no colégio Morgana Dalatrusti, estou no primeiro grau, e digamos que sou rotulado como o nerd da minha sala.
Rotulo intensificado pela minha aparência, pois uso um óculos com lentes pequenas e quadradas, sem armação ao redor do vidro. Minha mãe sempre disse que meus olhos azuis claros eram os do meu pai, assim como o meu cabelo liso e negro. Naquela época usava um penteado desarrumado, uma franja que ia até os cílios. Pele clara e não era muito alto.
Mas antes, uma frase: “Momentos bons e ruins fazem parte da vida. A diferença é que um marca e outro ensina”.
Tudo começa no dia 23 de Setembro, numa segunda-feira, me lembro como se fosse ontem, saí de minha casa rumo ao colégio e alguns passos, quando estava passando sub uma árvore de folhas estreladas amareladas e avermelhadas, um forte vento sopra em todo o meu corpo fazendo com que as folhas farfalhassem e se desprendessem com fácil esforço, uma rajada de folhas e vento me atinge.
Atrapalho-me cuspindo uma folha em minha boca e acabo tropeçando na calçada, mas no último instante consigo readquirir o equilíbrio. Respiro aliviado e prossigo o meu trajeto.
Cheguei ao colégio subindo as escadas até o saguão central, vou ao segundo andar e pego a direção de minha sala, assim como é a minha rotina, sento em minha carteira do lado esquerdo da sala. Sempre sou uns dos primeiros a chegar; ficava esperando o restante vendo pela janela o pátio, as pessoas, as árvores, os pássaros...
– Bom dia, alunos! – comprimento a professora de história com um sorriso. Ela era jovem, se comparar com o restante das professoras. – Vamos começar hoje com um aluno novo!
Murmurinhos começaram ao fim da sala.
– Menos barulho! – pronunciou a professora colocando um livro em cima de sua mesa de madeira. Ela gesticula em direção à porta. – Entre Vitor.
Um garoto entra na sala; de cabelos mais claros que a cor de trigo e olhos mais verdes que esmeraldas. Seu corpo era um pouco alto, se comparado a mim, e magro. Segurava sua mochila preta na mão direita e com a esquerda dava os toques finais em sua camisa branca. As meninas sorriram vislumbrando a beleza do novo “concorrente” dos meninos populares, pois certamente adicionariam o rotulo de popular nele, caso ele fosse social.
– Olá, meu nome é Vitor Raphael, morava em Montes Belos, muito prazer!
As meninas mais populares trocavam olhares e sorrisos enquanto os garotos reviravam os olhos por desdém.
– Ótimo – concluiu a professora – pode se sentar agora, Vitor.
Eu abaixo o meu olhar para meu caderno já em cima da mesa e ouço o roçagar dos outros pegando seus materiais, e em adicional, os passos do novo aluno, rumo ao lado esquerdo da sala. Uma carteira atrás de mim… sim… ele sentara nesta onde havia um lugar vago. Fiquei com a respiração acelerada e resolvi pegar um lápis para me distrair.
– Vamos dar continuação aos exercícios 22 e 23 da página 50, turma.
Vários minutos passam, e a aula de história chega ao fim, o sinal toca avisando que era hora do intervalo e todos começam a se levantarem para irem ao saguão ou ao pátio comerem seus lanches trazidos de casa.
Sinto alguém mexendo suavemente, por alguns instantes, em meu capuz e olho sobre meus ombros.
– Outono, gosto desta estação! – exclamou Vitor, a segurar uma folha amarela estrelada, estava a gira-la entre o polegar e o indicador. Provavelmente se alojou em meu capuz mais sedo, na ventania com aquelas folhas. – Isso estava em seu capuz!
– Ah, – sorri sem jeito – o… obrigado!
O garoto em minhas costas se levanta, e passa ao meu lado com uma das mãos no bolso e com a outra joga a folha sobre meu caderno. Eu, com o olhar baixo, apenas vi com o canto do olho, ele sair da sala. Pensativo, fecho o caderno com a folha ao meio. Então ele gostava do outono? Bem… eu também.
Pego uma maçã verde em minha mochila, me levanto e ajudo a professora com seus materiais até na sala dos professores, já era no caminho do pátio, então, eu sempre a ajudara.
Quando acabo de ajuda-la vou ao pátio; temperatura por volta dos 20º graus Celsius, mas uma brisa mais fresca percorria por todo o lugar e não poderiam faltar, as folhas amarelas sendo arrastadas. O céu, por sua vez, começava a ficar mais escuro e pesado. Antes ele estava tão claro, agora temia que chovesse, e por azar, nem trouxera guarda-chuva.
– Ei, quatro olhos! – chamou em minhas costas, uma voz com tom de brincadeira.
Olho, e vejo Michelly sorrindo, vindo ao meu encontro. Ela era uma das únicas a ser tão querida, contudo estudava na outra classe do 1º grau.
– Bom dia, David. – parou ofegante em minha frente.
– Bom dia, mas o que aconteceu?
– Aula de Educação Física, – disse enquanto arrumava os cabelos ruivos e cacheados – mas só lhe digo uma coisa: não suporto mais aquelas meninas metidas à riquinha da minha sala!
– O que elas fizeram dessa vez? – perguntei acompanhando-a pelo corredor.
– Aquela retardada da Melissa, quase me fez cair de boca na quadra de basquete. – ela coloca uma de suas mãos em meu ombro – Mas e com você?
– Ah – olhei para o piso do pátio – estou bem, só tirando o fato de o inverno estar chegando. Não gosto desse clima.
Ela anui com a cabeça a colocar as mãos em sua cintura. Viramos rumo aos balanços e a caixa de areia onde as crianças menores se divertiam.
– Fiquei sabendo que o 1ºA tem um novo aluno!
Concordei com a cabeça.
– Se não me engano, se chama Vitor. E é alto.
– E a Clara? Deu suas aulas chatas para vocês novamente?
– Ah, não acho chatas. Chatas para você, só porque odeia história, certo?
Ela riu enquanto sentávamos em um banco de concreto para lancharmos.
– Vai à biblioteca depois, Michelly? – perguntei antes de dar uma mordida na minha maçã.
– Humm… hoje não, tenho que voltar um pouco antes para começar uns exercícios que era para fazer em casa; acabei não fazendo.
Ergui as sobrancelhas e depois anui.
– Vou devolver este livro. – mostrei-o a ela e depois coloquei novamente debaixo do meu braço.
– E o Jofrey? – perguntou ela com brilho nos olhos – Está em suspenção?
– Sim, graças a Deus – dei uma gargalhada – Por uma semana estarei livre dele aqui no colégio, semana passada ele não parava de incomodar as minhas costas.
– Você tem muita sorte do Jofrey sentar uma carteira atrás da sua! – exclamou ela irônica.
– Nem me diga, mas estou crente que o Vitor vai começar a sentar atrás de mim.
– Por quê? – ela ergue uma sobrancelha curiosa.
– Hoje foi o primeiro dia dele, e sentou na carteira de Jofrey.
– Vamos ver isso semana que vem. – disse ela passando a mão na boca suja de bolachas que acabara de devorar. – Tudo bem, agora tenho que ir, antes que a aquela Melissa passe em minha frente.
– Só não bata nela! – brinquei vendo ela se distanciar.
Eu me direcionei a biblioteca e Michelly à sua sala. Entrando na sala com as paredes cobertas de livros e sorri para a bibliotecária, ela era uma senhora baixinha, um pouco tanto rabugenta, mas era só ser querido com ela que conquistava o seu coração, assim como indicações de bons livros.
– Bom dia, Dona Carmélia!
– Bom dia, David!
– Gostaria de devolver este livro hoje! – exclamei tirando-o de baixo do meu braço.
– Gostou da leitura? – ela perguntou arrumando os óculos para ver o nome do livro.
Balancei a cabeça confirmando a minha satisfação. Depois de alguns segundos ela anui e prossigo para entre as estantes. Congelo, e olho para o chão instantaneamente. A presença dele a alguns passos era forte, eu suava frio, droga, porque eu sou assim? Fico nervoso com pessoas que não conheço, não sou social e não sei muito me comunicar, ainda mais com pessoas de minha idade.
Vitor estava ali na prateleira de história, certamente buscando o livro que a professora pedisse que olhasse para fazer um trabalho: o mesmo livro que eu estava procurando.
Cheguei ao seu lado buscando com os olhos cerrados, o número do livro: 307.0. Ele passava os dedos gentilmente nas lombadas dos livros em sua frente, fazendo o mesmo que eu: buscando o número. Vitor nem me notara, até que ele olha ao lado esquerdo e do alto, me avista.
– Ah, é você! – disse ele sorrindo e me olhando nos olhos.
Eu também sorri, porém continuava a olhar os números e rapidamente meu coração acelera. Isso era estranho, o fato do meu coração se acelerar, eu me sentia incomodado ao lado dele, reprimido, eu sentia isso na maior parte das vezes com alguém novo, mas com ele era diferente.
– Sou novo por aqui, então, poderia me ajudar a achar o livro que a professora de história pediu?
Anui com a cabeça e não ousava olhá-lo. Acho que ele estava pensando que eu não fui com a “cara” dele, por não ter respondido, mas não saiu nada dos meus lábios, não consegui.
Com o olhar afiado, vi-o conferindo as lombadas mais do alto e eu era um tanto baixo se comparado com ele. Olhei para as lombadas que ele as fitava e achei o que ambos queríamos.
– Ahn… – gemi sem conseguir olhá-lo.
– O que foi? – perguntou ele com as mãos no bolso.
– Achei! – apontei a parte da prateleira mais alta.
Como ele não tinha visto? Estava na frente dele o tempo todo. Vitor da um passo para trás e eu tento alcançar com um esforço os livros, fico me equilibrando com a ponta dos pés e os dedos das mãos esticados o máximo, mas apenas encostava-os na lombada, sem sucesso, soltei um suspiro. Uma mão clara aparece em minha vista, pega um livro de capa vermelha acima de mim, o livro que tentava, sem sucesso, pegar.
Viro sobre os calcanhares e Vitor estende o livro a mim.
– Aqui. É esse?
Sinto minhas bochechas pegarem fogo, e apenas confirmo com a cabeça.
– Vai fazer com quem o trabalho? – perguntou ele passando a mão em seus cabelos loiros e lisos com movimento.
A professora Clara pedira para fazer um trabalho em um trio para entregar na sexta-feira. Eu geralmente fazia sozinho, esses trabalhos em grupos, pelo menos o concluía bem feito e conseguia, na maioria da vezes, uma nota elevada.
– Geralmente faço sozinho.
– Ah. – Ele iria falar mais alguma coisa, mas resolver não falar e olhou para a capa vermelha do livro que ainda me estendia.
Peguei-o livro e abracei-o no peito.
– História! – exclamou ele.
– Ah?
– É!… Os homens morrem, as civilizações acabam… e os livros sobrevivem. – ele sorri para mim e olha para a prateleira alta para apanhar outra obra.
Olhei para o chão e estava me retirando, abraçado forte ao livro, cheirando-o.
– Ah, droga! – disse Vitor decepcionado atrás de mim.
Virei-me novamente em direção a ele.
– Algum problema?
– Acabou, se eu estivesse vindo antes!
Como assim, acabaram os exemplares? A professora disse que tinha 12 cópias deste livro.
– Ah… bem… se não tem mais… não daria para você fazer comigo o trabalho? – perguntei todo desajeitado, olhando no chão e movimentando meu calcanhar direito para ambos os lados.
Ele sorriu e se aproximou estendendo sua mão rumo a minha cabeça. Pousou-a e fez um cafune gentil. Acho que isso foi um “sim”!
– Vamos! – exclamou ele dando passos em minha frente e olhando sobre os ombros para mim.
O sétimo exemplar! – falou a bibliotecária a sorrir quando coloquei o livro sobre a mesa para emprestá-lo. – O último a sair da biblioteca. Não sei o que os alunos desta cidade têm com o número sete!
– Por quê? – perguntou Vitor apoiando-se sobre a mesa com os cotovelos.
– Geralmente são os sétimos exemplares que são emprestados por último.
– Superstição! – respondi – nessa cidade o número sete é considerado o último de todas as atividades, chega a ser até um exagero, uma cultura dos fundadores da cidade que se enraizou.
– Estranho! Este é meu número favorito! – falou Vitor olhando para o grande relógio antigo de parede acima da cabeça da Dona Carmélia.
– Aqui está! – disse ela, empurrando na mesa, o livro até minhas mãos.
Agradecemos e nos retiramos. Voltamos até a sala, pois estava a alguns minutos de soar o sinal para o retorno às salas de aula. Matemática no quadro e no caderno até o último soar de sinal. Para alguns apenas no quadro, mas realmente, neste dia, eu estava impaciente, querendo sair correndo para casa, o estranho deste dia é que eu não consigo decifrar o que realmente eu sinto: se é alegria, tristeza, ou seja, estou bem confuso.
O sinal toca aos quatro cantos e todos saem apressados. Ao voltar para casa, fiquei parado alguns segundos olhando a árvore que passara de manhã. Lembrei-me da folha amarela entre o meu material.
O sol se põe, e a ascensão da lua cheia deixa o céu tenebroso, como um filme de terror, só faltava aqueles lobos uivando ao longe ou os barulhos fantasmagóricos no forro.
Deito-me em minha cama com cobertas azuis, coloco meus óculos sobre o criado mudo, rezo, e fecho os olhos com fé que amanhã seja um dia ainda melhor, e também, um pouco menos estranho!
Boa noite!

3 comentários:

  1. Ai realmente amei esse capitulo e essa historia isso e vida real ou um anime? Se for anime me diz qual e por favor ta! Beijos paola bondi do facebook!

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